11 de outubro de 2006

LXVIII - O Invisível

Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.

– Mas qual é a pedra que sustém a ponte? – perguntou Kublai Kan.

– A ponte não é sustida por esta ou aquela pedra ­ – responde Marco, – mas sim pela linha do arco que elas formam.


Kublai Kan permaneceu silencioso, reflectindo. Depois acrescenta:

– Porque me falas das pedras? Se é só o arco que importa.

Polo responde: – Sem pedras não há arco.


Italo Calvino

2 Comments:

Anonymous C said...

As desordens psicológicas, são todas desordens do pensar! Assim, os narcisistas, por exemplo, não podem ou não quererão, pensar nos outros, assim como os passivo-dependentes, não pensarão por si. Os obsessivos compulsivos tendem a criar grandes dificuldades ao compreenderem o todo, e se alguém apresenta uma real dificuldade psicológica, muito provavelmente o seu problema está na forma como pensa. De alguma modo, não está a pensar correctamente.
O simplismo do pensar é como o simplismo do viver e consiste em mais um mecanismo de auto-defesa do ego, que arranja sofrimentos alternativos ao sofrimento real e que, por vezes, são mais profundos e prolongados do que a situação real.
O detalhe é um aspecto do todo. Assim como para percebê-lo é preciso uma atenção especial e um foco de interesse alternativo, para perceber o todo, o mesmo exercício é necessário, aliás, o todo não é mais do que a soma dos detalhes......

quinta-feira, maio 24, 2007 6:54:00 da tarde  
Anonymous JL said...

simplesmente fantastica!

quinta-feira, maio 24, 2007 7:00:00 da tarde  

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